terça-feira, 25 de junho de 2013

Vem pra rua Pindaíba

 Como sempre, apesar dos problemas recorrentes em nossa cidade os norte-pindaibenses não perdem o bom humor. Por isso, separei alguns cartazes das manifestações em Pindaíba do Norte e em cidades próximas.
Tibum!
Grande revolucionária!

Pra onde vão os impostos???

Indireta aos manifestantes de face. Ops!

Não é por R$0,20. Sinceramente, fico imaginando Renato Russo, Cazuza e Chorão lá do alto vendo isso tudo acontecer e se orgulhando...

Até ele já sabe!

Atrasado de novo?

Mentira, todos eles tem carro novo!

Querido senador!


quarta-feira, 19 de junho de 2013

Eu vi

Eu vi, numa segunda-feira à noite, dia monótono para alguns, algo que juraria nunca ver. Não só eu, mas muitos, talvez todo o mundo. Tinha apenas ouvido falar que isso um dia já aconteceu. Alguns disseram que não voltaria a acontecer novamente em uma geração acomodada e inerte. Pois bem, nesse dia, eu vi o que muitos idealizaram, alguns sonharam e milhares fizeram.
Eu vi aqueles que foram chamados de geração coca-cola se exercitarem em marchas nas ruas. Assisti os que muitos consideravam internautas largar seus mouses e ir à caça de ratos nas assembleias do povo. Ouvi brados retumbantes do Hino Nacional muito mais fortes nos versos “Verás que um filho teu não foge à luta [...] Pátria amada Brasil”.
Eu vi não só cem ou duzentos mil em uma cidade, ou milhões no Brasil inteiro, mas, enfim, uma nação. Talvez, contrariamente do que dizem os livros de história, o Brasil tenha conhecido uma verdadeira eleição apenas em 1985, mas tenha adquirido o verdadeiro conceito de nação apenas em 2013. Talvez, após quase 30 anos os estudantes voltaram a ter força em país sem educação (ou melhor, “fair play”).
Mas no Brasil, nada (ainda) é perfeito. No meio das multidões, também vi animais (que me desculpem todos os integrantes da fauna tupiniquim, exceto o homo sapiens) com rostos tampados, spay, pedras e barras nas mãos. Vi bens públicos e particulares destruídos. Assisti guerras urbanas, fumaça, correria, sangue e (pasmem!) vinagre. Vi bandeiras com siglas iniciadas pela corrupta letra P.
Consegui ver também que os ideais do movimento não podem ser descritos pelo parágrafo anterior. Foram ouvidos gritos de “sem partidos“ assim que subiram bandeiras que não eram as do Brasil. Vi uma multidão acuando grupos que jogavam pedras, pichavam e tentavam invadir e quebrar. Vi jovens apagando o fogo e todas as esperanças de que uma baderna geral começasse. Vi flores.
Eu vi homens de preto armados, que recuavam diante da multidão. Mas garanto que os homens de preto e colarinho branco ficaram muito mais amedrontados quando viram sombras nas obras de Niemeyer. Sim, eles viram o espelho d’água tomado e rampas ocupadas. O povo percebeu, enfim, que o país há mais de quinhentos anos é subtraído em tenebrosas transações.

Vi as ruas se tornarem as maiores arquibancadas do Brasil em meio a tantos estádios monumentais. Agora (só) falta vencermos não um político, partido ou governo, mas o sistema em geral, para que daqui a algum tempo, não tenhamos que voltar e lutar pelos mesmos objetivos.