segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Novo HIT de Pindaíba do Norte!

Buzino, chamo, pisco, conquistou...

 

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº66

Cansado de tudo isto, uma morte pacífica imploro: 
Para impedir que nasça o mendigo, 
E toda a necessidade termine em descaso, 
E a fé mais pura seja tristemente preterida, 
E a honra vergonhosamente deslocada, 
E a virginal virtude rudemente pisoteada, 
E a mais completa perfeição erroneamente desgraçada, 
E a força desarmada pelo claudicante, 
E a arte amordaçada pela autoridade, 
E a loucura controlada pela medicina, 
E a verdade confundida com a simplicidade, 
E o bem cativo atenda à insanidade. 
Cansado de tudo isto, disto tudo me afastaria, 
Exceto ao morrer de abandonar o meu amor.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº65

Se nem o bronze, a pedra, a terra, o mar infinito,
Senão a triste mortalidade que supera o seu poder,
Como pode a beleza defender-se diante da fúria,
Cuja ação não é mais firme que uma flor?
Como pode a cálida aragem de estio superar
O desastroso ataque dos exaustivos dias,
Quando sólidas montanhas não são indevassáveis,
Nem portões de aço poupam o tempo da ruína?
Ó temível pensamento! Onde se esconderá
A joia mais magnífica do gélido abraço do tempo?
Ou que mão poderosa deterá seus ágeis pés,
Ou quem proibirá a destruição de sua beleza?
Ah, ninguém, a menos que um milagre aconteça:
Que esta negra tinta possa resplandecer o meu amor.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº64

Ao ver a cruel mão do tempo apagar
Dos ricos o orgulho graças à decadência da idade;
Quando, por vezes, as altas torres são destruídas,
E o eterno escravo do metal entregue à mortal ira;
Ao ver o oceano faminto ganhar
Vantagem sobre os domínios das encostas;
E a terra firme avançar sobre o braço de água,
Equilibrando-se entre as perdas e ganhos;
Ao ver tal mudança de condição,
Ou a própria condição confundida, a decair,
Assim ensinou-me a pensar a ruína:
Que o tempo virá e levará o meu amor.
Este pensamento é mortal, sem outra escolha
Senão lamentar ter o que se teme perder.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº63

Contrário o meu amor será como sou hoje, 
Com a mão injuriosa, esmagada e gasta pelo Tempo; 
Quando as horas tiverem secado o sangue e coberto o cenho 
Com linhas e rugas; quando a sua fresca manhã 
Ascender à alta noite senil, 
E todas as belezas das quais hoje ele é rei 
Minguarem, ou sumirem de vista, 
Roubando o tesouro de sua primavera; 
Por esse tempo agora eu me oponho 
Contra a faca cruel da confusa idade, 
Que ele jamais ceifará da lembrança 
A suavidade do meu amor, embora lhe tire a vida. 
Nestas negras linhas ficará a sua beleza, 
E que viverão, mantendo o meu amado vivo.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº62

O pecado do amor-próprio toma meus olhos, 
E toda a minha alma, e todo o meu corpo; 
E para este pecado não há qualquer remédio, 
Tão entranhado está em meu coração. 
Penso que nenhum rosto seja tão belo quanto o meu, 
Não há forma mais verdadeira, nem jamais vista, 
E por mim meu próprio valor se define, 
Por superar qualquer outro. 
Mas quando o espelho me revela quem sou, 
Abatido e carcomido pelos anos, 
Meu amor-próprio se contraria; 
Ser tão autocentrado seria uma iniquidade. 
Tu és (eu mesmo) aquele que em meu nome elogio, 
Pintando meus anos com a beleza de teus dias.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº61

É teu desejo que tua imagem mantenha abertas 
Minhas pesadas pálpebras nesta fatigada noite? 
Desejas que meu sono se quebre, 
Enquanto as sombras zombam ao me ver? 
É teu espírito que envias até a mim 
Tão longe de casa, para me bisbilhotar, 
Para desvendar meus erros e ociosas horas, 
Mantendo vivo e aceso o teu ciúme? 
Ah, não! Teu amor, mesmo imenso, não é tão grande; 
É meu amor que deixa meus olhos despertos, 
Meu amor verdadeiro que corrói meu descanso, 
Para manter-me em vigília por tua causa. 
A ti vigio, enquanto ao longe despertas, 
Tão distante de mim, e de outros, tão perto.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº60

Como as ondas se arremessam contra as pedras, 
Aproximam-se os minutos de seu fim; 
Cada um ocupando o mesmo espaço, 
Num incansável e destemido movimento. 
Do nascimento, após vir à luz, 
Engatinhamos até a maturidade, e somos coroados, 
Vencendo estranhos eclipses perante sua glória, 
E o Tempo, dado, que hoje nos lega seu presente. 
Os dias firmam seu passo na juventude, 
E cavam suas sendas sobre a fronte da beleza; 
Alimentam-se da raridade da verdade da natureza, 
Mas nada impede o firme corte de sua foice. 
Porém, às vezes, espero que meu verso prevaleça, 
Elevando teu valor, apesar de seu cruel desmando.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº59

Se não há novidade, senão a que havia 
Antes, como se conformará nosso cérebro, 
Que, ocupado em inventar, suporta 
O segundo fardo de um primeiro filho! 
Ó esse fato poderia, com olhar antigo, 
Mesmo passados quinhentos dias, 
Mostrar-me tua imagem em um velho livro, 
Uma vez que a mente já conheça seu caráter! 
Que eu possa ver o que o velho mundo diria 
Diante da maviosa conformação de teu rosto – 
Sejamos alterados, ou sejamos melhorados, 
Ou mesmo que a revolução nada altere. 
Ó certamente sou a sabedoria do passado, 
Que homens piores cobriram de excedidos elogios.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Recessão de Sentimentos

Decidido a acabar com a vida, pegou o galão de gasolina e a caixa de fósforos. Usaria uma arma de fogo caso tivesse. Não compreendia como havia chegado naquele ponto; abriu a tampa do galão...
...
Uma semana antes.
O pior final da tarde de um homem acabava de se formar. Naquele exato momento a palavra demitido era proferida pelo chefe, o choque da notícia deixou-o quase mudo e a única resposta foi um imperceptível ok.
No caminho para o R.H., pensava de forma desesperadora: Dez anos de firma! Como podem fazer isso comigo? E as crianças, como vão ficar? E minhas dividas?
Questionou-se até chegar.

...
Já dentro do carro, sua mente borbulhava mais e mais... Lembrou que a patroa já não era a mesma e que possivelmente a notícia geraria uma nova e longa discussão.
Pensou em parar pra beber, mas álcool não resolveria o problema e provavelmente causaria um acidente. Decidiu enfrentar seu destino sem rodeios.

...
Chegou em casa... triste, derrotado e sem chão.
Abriu a porta, mas tudo que sentia foi subjugado por um alegre coro:
– Papaiii!
Enquanto abraçava as crianças pensou: filhos são um balsamo para a alma, não importa a situação! Risonho em ver a sua prole, perguntou:
– Como vão vocês moleque e mocinha?
– Bem! – respondiam os dois em coro.
– Pai, óia o que eu fiz? – o rapazinho mostrava o seu desenho.
– Olha o meu Papai! – mostrava a mocinha.
Depois de uma intensa briga por atenção, elogiou os desenhos das crianças e foi cumprimentar a patroa, que não lhe deu muita atenção. Decidiu contar o ocorrido após o banho.
De mente e corpo limpo, revelou a situação. Pouco adiantou as explicações de como dar a volta por cima. O conflito já era certo e uma longa discussão foi iniciada, uma das piores que o casal já tivera.

...
Na manha do dia seguinte, vestiu-se rápido e pegou o celular. Com um currículo e alguns documentos na mão, foi procurar um novo emprego. Não havia tomado café. Seguiu de jejum como se pagasse uma penitência, tinha pressa em resolver seu problema. As economias mal serviam para sustentar a família por mais de três meses.
Não queria esperar o acerto ou o seguro desemprego, dez dias corridos não animavam. Assumiu a responsabilidade de pai e marido; o homem da casa! Tinha que arcar com elas.

...
Já no SINE.
Achou algumas vagas de seu interesse, porém não poderia se apresentar para as entrevistas. Pois não tinha recebido o ônus de sua antiga empresa, ficou feliz em saber que ainda conseguiria um emprego nesses tempos de crise; caso o acerto não demorasse.
Para não perder a viajem entregou sua carteira de trabalho no R.H. da empresa e ficou surpreso ao ver mais amigos na mesma situação. Sentindo-se desconfortável... foi para casa. Esperaria mais 4 dias para receber o acerto.

...
Já na rua de sua residência, percebeu um carro da polícia em sua porta.
Acelerou e estacionou o carro próximo a viatura, preocupado que algo de ruim tivesse acontecido com as crianças ou com a mulher. Para sua surpresa foi barrado por dois policiais e um oficial de Justiça.
Acabava de ser autuado em uma medida protetiva de urgência, mal entendia o que havia ocorrido. Após ler o processo, foi pego de surpresa por alguns dos termos a seguir:

  • Proibição de se aproximar da vítima;
  • afastamento do lar ou local de convivência com a vítima;
  • obrigação de dar Pensão Alimentícia Provisional ou Alimentos Provisórios.
Nunca havia batido na esposa ou nas crianças. Entendia muito bem como usar a autoridade sem usar a força. Porém a animosidade do policial deixou-o receoso.
Sem poder pegar seus pertences básicos, não esperou nenhum minuto a mais, seguiu para o endereço indicado no documento. Tinha dez dias para se apresentar na Delegacia da Mulher, mas queria resolver esse engano enquanto antes.

...
Na Delegacia...
Tomou a maior lavada da vida sem ter culpa, foi tratado como criminoso. Os direitos de igualdade de gênero e de defesa não existiam, só Júri, Juiz e Carrasco. Pegou as informações que precisavam e foi procurar um advogado, sem antes ser repreendido mais uma vez pelas autoridades. Sentiu tanto medo que abaixou a cabeça como se fosse um homem culpado pelo presente destino e foi embora.

...
Estava na rua da amargura, não tinha dinheiro, roupas ou um teto, somente lhe restou o carro. Precisava pagar um advogado. Tentou tirar algum dinheiro no caixa eletrônico mais próximo, porém notou que a conta conjunta do casal foi limpa pela esposa naquele dia. Também não tinha nenhum centavo em sua antiga poupança. Sua esposa havia lhe aplicado um golpe um golpe de misericórdia. A dor que sentia no momento aumentava a cada minuto.
Sua salvação veio de um velho amigo, já que, seus pais haviam falecido e os parentes mais próximos estavam a 500 km de sua cidade.

...
Aquela estranha figura que o ajudava era uma mistura de teórico da conspiração, maluco no pedaço e marriage strike. Mas como bem sabia, toda pessoa muito desperta é considerada louca até que, o que é dito por ela se torna uma verdade sem opções de fuga. Estava grato pela ajuda do amigo, mesmo que a casa não tivesse energia elétrica, pois estava passando por uma conversão para energia solar e a única energia elétrica da casa vinha de um gerador a gasolina.
A vida em um sítio no interior não era fácil, mas para quem não tinha onde cair morto aquilo era um luxo de um rei. O dono do sítio iria viajar naquele mesmo dia para poder comprar o restante dos painéis solares e terminar a obra.
Voltaria só daqui dois dias. Mesmo assim tranquilizou o amigo que passava por um perrengue, poderia ficar morando lá o tempo que precisasse para se reerguer e que boas companhias sempre o agradavam.

...
Gerador ligado, tomou um banho...
Ligou a TV, sentou no sofá e ouviu as notícias do país e do mundo.

Taxa de desemprego chega a 8%

Cresce o risco de um calote da Grécia.

Inflação acumulada em 12 meses chega a 8,89%, maior taxa desde 2003

Brasil pode sofrer uma possível recessão técnica na economia
Desligou a TV, as chamadas do jornal eram desinteressantes. Não estava preocupado em desemprego, calote da Grécia ou inflação. Tudo o que queria era uma recessão de sentimento, emoções como: traição, calunia e tantos outras que rondavam a sua mente. Resolveu ir para a cama, queria ver os filhos indo para a escola de manhã.
Não os via desde aquela manhã, queria saber como estavam. Tinha medo que eles ficassem traumatizados pelos acontecimentos. Fechou os olhos.
Dormiu... o sono mais inquieto de toda sua vida, seus maiores medos o assombraram naquela noite.

...
De manhã próximo a sua casa, lembrou-se da medida protetiva e da proibição de se aproximar, mas seguiu seus instintos. Quando os filhos saiam do portão para esperar a van escolar, percebeu que seu vizinho conduzia os filhos para fora de casa e que quando perceberam que o pai estava por perto gritaram e correram em sua direção.
Choro, lágrimas e um abraço apertado foi o máximo que conseguiram. A ex-patroa e o vizinho talarico foram a sua direção, uma confusão formada. Mas a van chegou, as crianças subiram. O pai garantiu que estava bem e que em breve estariam juntos de novo.
Com medo de complicar ainda mais a situação foi embora, mas antes trocou uma ofensas com o novo casal.
Passou em um boteco copo sujo, gastou os últimos trocados na compra de dois litro de cachaça. Seguiu para o sítio do amigo.

...
Bebeu; bebeu ainda mais. Queria esquecer a vida, a traição de sua mulher com seu vizinho que dizia ser seu amigo, a distância dos filhos, a perda do emprego, o roubo de todas as suas economias... A noite chegou!
Decidido a acabar com a vida, pegou o galão de gasolina e a caixa de fósforos. Usaria uma arma de fogo caso tivesse. Não compreendia como havia chegado naquele ponto; abriu a tampa do galão... o julgamento de sua vida começou.
Lembrava de tudo o que aconteceu em sua vida, o filme de sua existência transcorria em seus olhos, os primeiros amores, as aventuras e um conselho do seu pai:
– Filho, todos carregam cruzes na vida, carregue a sua. Não reclame do quanto é difícil, ou que o caminho é longo demais, nem sempre o caminho mais curto é a melhor resposta aos problemas.
Abaixou o galão, desistiu de tirar a própria vida. Acabará de participar do Tribunal da vida, aonde o Júri e o Juiz decidiram por sua liberdade.
Resolveu enfrentar seus problemas de frente como um homem, sem recessão de sentimentos. Custe o que custar!
Uma chuva fina começou a cair e com ela a sua alma foi lavada.
Um novo homem acabava de nascer.

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº58

Que Deus me perdoe, por me tornar teu escravo, 
Que eu deva pensar em velar tuas horas de prazer, 
Ou para ti contar os momentos de ansiedade, 
Sendo teu vassalo disposto a estar à tua mercê. 
Ó deixa-me sofrer, sob tua vista, 
A ausência aprisionada de tua liberdade, 
E domada pela paciência para sofrer a cada vez 
Sem te acusar de me injuriares. 
Estejas onde estiveres, teu jugo é tão forte, 
Que podes privilegiar teu tempo 
Para o que quiseres; a ti somente cabe 
Perdoar-te por teus próprios crimes. 
Devo aguardar, embora esperar seja o inferno, 
Sem culpar teu prazer, seja ele o mal ou o bem.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº57

Sendo teu escravo, o que fazer senão atender 
Às horas e aos chamados de teu desejo? 
Não tenho tempo algum para mim, 
Nem serviços a fazer, até que me peças. 
Nem ouso repreender a hora do mundo sem fim, 
Enquanto eu, minha soberana, sigo tuas horas, 
Nem penso que a solidão da ausência seja amarga, 
Após dispensar teu servo de teu serviço; 
Nem ouso questionar com meus ciúmes 
Onde andarás, ou imaginar o que fazes, 
Mas, como um triste escravo, sento-me e não penso, 
Salvo, onde estás e quão feliz fazes a todos: 
Então, que tolo é o amor, que, sob teu jugo 
(Embora nada faças), nenhum mal o assombre.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº56

Doce amor, sê forte; não digas que 
Teu ardil seja mais bruto que teu apetite, 
Que somente hoje alias e alimentas, 
Depois aguçado em seu antigo poder: 
Então, amor, sê tu mesma; embora hoje preenchas 
A fome de teus olhos, mesmo plenos, 
Amanhã novamente vejam, e não matem 
O espírito do amor com perpétuo tédio. 
Deixa este triste ínterim ser como o oceano 
Que divide a praia, onde dois novos seres 
Diariamente vêm até as margens, e, ao assistirem 
Retornar o amor, mais abençoada se torna esta visão; 
Ou mesmo o inverno, que, cheio de cuidado, 
Faz o estio ser três vezes mais raro e ansiado.

sábado, 15 de agosto de 2015

AMOR E PAIXÃO

A cada segundo, sinto mais a falta de seu corpo colado ao meu
De seus lábios e os meus molhados na mesma saliva
De sua alma rezando juntamente com a minha
De sua vida na minha vida
Se seu eu em mim, de meu em você
De sua mente em meu pensamento de meus sonhos em sua vida
Sinto mais carência do que ainda nem veio
E volto ao passado para encontrar sua imagem
Buco por ti em em algum lugar do passado
Para encontrar-te em um lugar certo no futuro,
para viver o presente na certeza de que o sentido da vida está entre dois corações
Que se sentem
Que se querem
Que se aceitam
Que se desejam
E que não param de contar o tempo até que chegue o próximo encontro
Que ama num amor puro e verdadeiro

Que nada pede em troca, mas espera receber o mundo todo como recompensa, pois o mundo todo se resume numa única palavra: VOCÊ!
(03/JUN/2014)

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº55

Nem o mármore nem os monumentos luxuosos 
Dos príncipes viverão mais que este poderoso verso, 
Mas brilharás ainda mais neste poema 
Do que a intocada gema envolta pela névoa do tempo. 
Quando a guerra inútil destruir todas as estátuas, 
E as disputas surgirem no trabalho diligente, 
Nem deixarão de Marte a espada, nem do embate arder 
O fogo fátuo o límpido registro de tua memória. 
Avançarás contra a morte e toda a hostilidade obliterada; 
Teu ânimo ainda encontrará lugar 
Mesmo aos olhos da posteridade, 
Que carrega este mundo ao seu cataclismo. 
Então, até o julgamento que tu mesmo fazes, 
Aqui vives e permaneces nos olhos de teus amores.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº54

Ó, muito mais linda parece a beleza 
Docemente ornada pela verdade! 
A rosa é linda, mas a julgamos ainda mais bela 
Pelo suave odor que exala. 
As rosas silvestres têm o mesmo tom 
Que as rosas perfumadas e coloridas, 
Presas a seus espinhos, e brincam, voluptuosas, 
Quando o hálito do verão as abre em botão; 
Mas, como a aparência é sua única virtude, 
Vivem esquecidas, e murcham abandonadas – 
Morrendo solitárias. Doces rosas não fenecem; 
De suas ternas mortes exalam os mais doces perfumes, 
Assim como de ti, linda e amável donzela, 
Ao feneceres, tua verdade destilará nos versos.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Novidades em Pindaíba do Norte

A partir da semana que vem, teremos em todas as quartas-feiras crônicas sobre a vida. Prepare-se para se emocionar com os dramas modernos.

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº53

De que substância és feita, 
Que milhões de estranhas sombras te envolvem? 
Como todos têm, cada um, a sua sombra, 
E tu, sozinha, podes emprestar a elas. 
Descreve Adônis, cuja imitação 
É parcamente feita à tua imagem; 
E sobre o rosto de Helena toda arte da beleza se define, 
E tu, em mosaicos gregos, de novo és pintada; 
Fala da primavera, e do frescor do ano; 
Aquela que exibe a sombra de tua formosura, 
E o outro, como teu coração se assemelha, 
E tu, em toda forma abençoada e conhecida. 
Tomas parte de toda graça visível, 
Mas, nem tu, nem ninguém mantém fiel o coração.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº52

Serei como o rico, cuja abençoada chave 
Conduz ao seu doce e bem guardado tesouro, 
Que nem sempre vem admirar 
Para não perder o prazer de vê-lo. 
Por isso, as festas são tão solenes e raras – 
Esparsamente marcadas ao longo do ano, 
Como pedras valiosas, delicadamente dispostas, 
Ou suntuosas joias incrustadas na tiara. 
Assim é o tempo que a mantém junto ao meu peito, 
Ou como o guarda-roupa que esconde o vestido, 
Para transformar o instante em mais especial ainda 
Ao desfolhar novamente seu orgulho aprisionado. 
Abençoada sejas, cujo valor ressalta, 
Ao ter-te, o triunfo; ao perder-te, a esperança.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº51

Assim pode meu amor desculpar a velada ofensa 
De minha torpe montaria quando de ti me afasto: 
Por que eu deveria fugir de onde estás? 
Até retornar, não preciso te escrever. 
Ó que desculpa dará meu pobre animal, 
Quando a galope parecerá se demorar? 
Então, eu deveria cavalgar o vento – 
A velocidade alada é desconhecida para mim. 
Assim, nenhum cavalo acompanhará meu desejo; 
Portanto, o desejo, do amor que se faz perfeito, 
Negará todo o corpo em sua célere carreira; 
Mas o amor, pelo amor, desculpará meu alazão: 
Pois, ao me afastar de ti, trotou lentamente, 
Correrei para ti, e a ele deixarei partir.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº50

Com que pesar enfrento a jornada, 
Quando o que procuro (o triste fim do meu caminho) 
Mostra-me, docilmente, a resposta que devo dar: 
“Assim as milhas são marcadas para longe de teu amigo”. 
O animal que me carrega, cansado do meu pranto, 
Cavalga firme, suportando o peso que levo comigo, 
Como se, por instinto, o animal soubesse 
Que o cavaleiro de ti não quisesse se afastar. 
As esporas sangrentas não o atiçam 
Que, por vezes, o ódio toca-lhe por dentro, 
E, prontamente, responde com um grunhido 
Mais agudo para mim do que ao esporeá-lo; 
Pois o mesmo grunhido põe isto em minha mente: 
Minha tristeza jaz à frente e, minha alegria, atrás.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº49

Contra o tempo (se este tempo vier) 
Quando rejeitares os meus defeitos, 
Quando o teu amor fizer o seu maior lance, 
Chamada a explicar-se por teu respeito; 
Contra o tempo quando passares como estranha, 
E mal me cumprimentares com o teu olhar em fogo, 
Quando o amor transformado daquilo que era 
Encontrar motivos de reconhecida gravidade; 
Contra esse tempo, eu me protejo 
Conhecendo os meus próprios desígnios, 
E, assim, contra mim ergo a minha mão, 
Para resguardar as tuas razões de direito. 
Para me deixares, pobre de mim, empregas a força da lei, 
Pois, a razão do amor, não posso alegar os meus motivos.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº48

Que cuidado tomei quando em meu caminho 
Ao acaso surgiram inutilidades, 
Que para mim continuariam intocadas 
Pelas mãos da falsidade, entregues à confiança. 
Mas tu, para quem minhas riquezas não são nada, 
Zelo mais valoroso, agora meu maior pesar, 
Tu, a mais amada e meu único cuidado, 
Do mais terrível ladrão te tornas presa, 
A ti, não encerrei em uma arca, 
Salvo onde não estás, embora sinta que estejas 
Dentro da gentil clausura do meu peito, 
De onde poderás ir e vir a teu bel-prazer; 
E, mesmo assim, temo que serás roubada, 
Pois a verdade nos rouba quanto maior o prêmio.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº47

Há uma união entre o que vejo e sinto, 
E o bem que cada coisa verte de uma em outra: 
Quando meus olhos anseiam por um olhar, 
Ou o coração apaixonado, brando, a suspirar, 
Meus olhos celebram a imagem do meu amor, 
E, diante do banquete, se rende a minha emoção; 
Em outro tempo, meus olhos se aninham ao sentimento, 
E se unem aos seus pensamentos amorosos: 
Então, seja por tua imagem ou pelo meu amor, 
Estás, mesmo distante, sempre comigo; 
Pois não corres mais do que meus pensamentos, 
E estou sempre com eles, e eles, contigo; 
Ou, se adormecem, a tua imagem à minha frente 
Desperta meu amor para a alegria dos olhos e do coração.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº46

Meus olhos e coração travam uma guerra mortal 
De como repartir entre eles a visão que têm de ti: 
Meus olhos rejeitam o que meu coração vê, 
Meu coração, aos meus olhos, a liberdade de te ver. 
Meu coração alega ser por ele que te vejo 
(Um quarto nunca visto com olhos puros), 
Mas os acusados negam-lhe a autoria,
E dizem que és bela somente para eles. 
A demanda, sem precedentes, 
Divide as opiniões, todos reféns do coração; 
E por seu veredicto se determina 
A parte dos olhos claros e do doce coração – 
Assim: meus olhos veem o que me mostras, 
E meu coração vê apenas o teu amor.