segunda-feira, 30 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº131

És tão tirana quanto todas aquelas, 
Cuja beleza orgulhosa as torna tão cruéis; 
Pois bem sabes, para meu pobre coração, 
És a joia mais cara e mais preciosa. 
Embora digam, ao ver-te, 
Que teu rosto não faça o amor suspirar. 
Não ouso dizer que estejam errados, 
Embora jure apenas para mim; 
E, para ter certeza de não ser falso, eu juro 
Mil suspiros, mas pensando em tua face; 
Todos sabem que, se trocasses de rosto, 
Eu continuaria a julgar-te bela. 
Em nada és negra, exceto em teus atos, 
Por isso penso proceder esta calúnia.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº130

Os olhos de minha amada não são como o sol; 
Seus lábios são menos rubros que o coral; 
Se a neve é branca, seus seios são escuros; 
Se os cabelos são de ouro, negros fios cobrem-lhe a cabeça. 
Já vi rosas adamascadas, vermelhas e brancas, 
Mas jamais vi essas cores em seu rosto; 
E alguns perfumes me dão mais prazer 
Do que o hálito da minha amada. 
Amo-a quando ela fala, embora eu bem saiba 
Que a música tenha um som muito mais agradável. 
Confesso nunca ter visto uma deusa passar – 
Minha senhora, quando caminha, pisa no chão. 
Mesmo assim, eu juro, minha amada é tão rara 
Que torna falsa toda e qualquer comparação.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº129

O desgaste do espírito quando se envergonha 
É obra da luxúria; e, até a ação, a luxúria 
É perjura, assassina, sanguinária, culpada, 
Selvagem, extrema, rude, cruel, desleal, 
Logo desfrutada, porém, em seguida, desprezada, 
Perdida a razão, e logo esquecida, 
Odiada razão, como isca lançada 
De propósito para enlouquecer a presa; 
Insano ao ser perseguido, e possuído; 
Tido, tendo, e quase ao ter, extremo; 
Felicidade ao provar, e uma vez provado, a tristeza; 
Antes, uma ansiada alegria; por trás, um sonho; 
O mundo bem sabe, embora ninguém se lembre 
De descartar o céu que a este inferno os conduz.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Tempo de Guerra

Diário de Guerra – 16 de setembro de 2015.

Si vis pacem, para bellum!

A adrenalina corre por minhas veias, a sensação da guerra que se aproxima. Os sons dos disparos, as vozes pedindo socorro, o cheiro da pólvora, fazem a alma gelar.

O azul do céu viciado pelo cinza das explosões. Tudo é tão rápido, mas ao mesmo tempo tão devagar. Não a tempo para fraquezas, não a tempo para recuar, só posso seguir em frente.

Sem lágrimas, sem sofrimento. O predador vira presa e o desejo pela guerra continua. Guerra para se conseguir paz, paz para conseguir guerra, o círculo vicioso começou!

É isso o que eu mais sinto. Dominado por um sentimento carregado de morte, dor e sofrimento que esta cada vez mais forte em minha mente. Não sei como parar, me sinto como se estivesse caminhando em direção a algo inevitável. Mas não é sobre isso que tenho que escrever nessas páginas.

Hoje palestrei sobre o tempo de guerra em que o mundo vive, o que tornou a palestra incomum foi o publico em si. Estou acostumado a apresentações nos círculos militares; mas em uma ordem religiosa é a primeira vez.

Fui o segundo a falar, primeiramente expliquei o que seria essa possível “Guerra Civil” no território nacional. O país não está dividido ao ponto de eclodir um conflito interno, porém é notável que estejamos caminhando para essa direção.

Essa ideia é prematura, pois é mais provável que aconteça uma Guerra contra alguns grupos infiltrados no país com ajuda do atual governo e dos exércitos dos países membros do Foro de São Paulo e Esquema Eurasiano.

Caso esse conflito aconteça, esse esquema tem consigo soldados cubanos, soldados dos países membros do Foro de São Paulo, guerrilheiros do MST, além de possíveis aliados vindos através dos refugiados das zonas de guerra do mundo.

Na visão desse esquema de poder, o Brasil é visto como um celeiro agrícola de um exército mundial. Aonde toda a produção, vai ser exportada para atender a demanda de outros povos e não a do povo brasileiro.

Diante disso, o país corre o risco de ter o uso da fome como arma de controle e destruição em massa. Já que, essa tática foi usada no passado pela União Soviética com os povos da Ucrânia, da Bacia de Volga e do Cáucaso matando aproximadamente dez milhões de pessoas.

A reação de surpresa por essa informação foi superior as outras. Isso me surpreendeu! Pensei que todos tinham conhecimento sobre o lado real da história do comunismo, mas parece que a interpretação adquirida por eles, foi a dos piores livros de história da atualidade.

Falei um pouco sobre a situação atual da Venezuela, que após tomar um golpe de estado, sente o reflexo das más escolhas. O país vive na miséria com saques, violência civil, fome, uso de remédios veterinários pelos doentes e até fechamento das fronteiras para evitar a evasão da população para outros países. Esses tormentos fazem parte do cotidiano daquele país e podem tornar parte do nosso em breve, caso nenhuma medida seja tomada.

Após falar sobre os outros países membros do Foro de São Paulo e os riscos que eles causam para a nossa soberania. O assunto foi o cenário mundial.

Recordei alguns pontos da Guerra Fria, lembrei a todos que esse conflito ainda não terminou, só entrou no modo stand-by por alguns anos para começar a ferver e entornar o caldo por agora.

O primeiro movimento para reacender o conflito começou com a invasão da Crimeia pela Rússia. Algum tempo depois os Estados Unidos denunciaram a Rússia pela venda de armas para o massacre de civis na Síria. E o arranca rabo não parou mais, com direito a ameaças diretas da Rússia contras os EUA e a OTAN.

Em meio a isso, bombardeiros russos sobrevoaram próximo aos Estados Unidos no dia 4 de Julho, o que pode ser interpretado como uma declaração de guerra. Depois disso um opositor ao governo russo morreu em frente ao Kremlin e hackers chineses invadiram computadores da Casa Branca e roubaram planos de defesa e segredos norte-americanos...

Porém, o foco atual é na Guerra Civil da Síria. Esse conflito pode ser o grande catalizador para uma Terceira Guerra Mundial. Pois, de um lado temos o ditador Sírio com o apoio da Rússia, China, Irã e Brasil, do outro temos os opositores rebeldes, os caras de shemmag, apoiados pelo EUA, França, Alemanha e etc. No meio disso temos o Estado Islâmico, os de gorro preto, patrocinados por sabe-se lá o que.

Fugindo disso, temos os refugiados que são garantia de problema para o futuro da Europa e o resto do mundo, basta lembrar-se do Charlie Hebdo e da Sharia implantada em alguns bairros de países europeus para entender o perigo.

No Brasil não será diferente, pois os principais países desenvolvidos já fizeram sua triagem através de seus serviços de inteligência. Escolheram médicos, dentistas e toda a parcela da população que produz algo e levaram para seus países. O restante foi enviado para os outros países incluindo o Brasil. 

Os refugiados que vieram para nosso país são uma grande incógnita.

Quem são eles? O que faziam antes? Quais são seus interesses? O que desejam aqui? Pouco se sabe, pois não existe uma triagem na admissão deles e de outros refugiados de guerra no país.

A situação se agrava com o encontro de uma célula terrorista do Estado Islâmico no Brasil. O grupo foi descoberto pela Polícia Federal como uma célula especializada em lavar dinheiro, aonde os valores eram enviados para o Líbano e depois repassados ao Estado Islâmico para apoiar as ações terroristas. Como não possuímos uma legislação específica para casos de terrorismo, nenhuma ação mais enérgica foi tomada para salvaguardar a segurança nacional.

Alertei os presentes das ações de Putin, ele está adotando a mesma estratégia que Hitler. Antes de começar os conflitos contra a Ucrânia, o país já estava modernizando todo seu arsenal, que vai desde o tecnológico tanque T-14 Armata, as modificações no fuzil AK-47, além dos 40 novos mísseis nucleares intercontinentais de alta tecnologia e vários outros armamentos.

Após concluir parte desse novo poderio militar ele começou a conquistar pequenos territórios estratégicos dizendo que é para salvaguardar o povo russo da região. Hitler fez o mesmo, só que, disse que estava conquistando terras que pertenciam à Alemanha no passado. As desculpas mudam, mas a estratégia é a mesma.

Cada vez mais somos pressionados a uma nova Guerra Mundial. Com resultados piores do que se possa imaginar.

Terminei a palestra com a máxima de Sun Tzu: “Derrotar o inimigo em cem batalhas não é a excelência suprema; a excelência suprema consiste em vencer o inimigo sem ser preciso lutar.”

Se nenhuma contra medida for tomada, seremos derrotados pela excelência suprema sem dar um único disparo.

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº128

Toda vez, quando tu, minha música, tocas 
O abençoado cravo que emite os sons 
Com o movimento de teus dedos, quando, doce, 
Tanges as cordas que confundem meus ouvidos, 
Invejo essas teclas, que, ágeis, saltam 
Para beijar a suave concavidade de tuas mãos, 
Enquanto meus pobres lábios, que deveriam beijá-las, 
Permanecem impávidos e corados, junto ao cravo. 
Ao serem acariciados mudariam de condição 
E de posição com as teclas dançarinas 
Sobre as quais teus dedos caminham alegres, 
Tornando a madeira morta mais viva do que os lábios. 
Como as teclas saltitantes que tocam felizes, 
Dá-lhes teus dedos, e teus lábios, a mim.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº127

Em tempos remotos, o negro não era belo, 
Ou se fosse, assim não seria chamado; 
Mas agora surge o herdeiro da negra beleza, 
E o belo está imprecado de bastardia; 
Desde que as mãos detêm o poder sobre a natureza, 
Embelezando a feiura com o falso rosto da arte, 
A doce beleza não tem nome, nem jardim sagrado, 
Vive profanada, ou caiu em desgraça. 
Os olhos de minha senhora são escuros como o corvo, 
Tão belos são seus olhos, e sua tristeza tão comovente, 
Que, mesmo sem ser bonita, ainda é bela, 
Difamando a criação com falsa estima. 
Eles se entristecem com a própria aflição, 
Ao ouvirem não haver beleza como a dela.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº126

Tu, adorado menino, que deténs em teu poder 
A ampulheta do Tempo, a foice das horas, 
Que cresceste ao vê-lo minguar, e assim mostraste 
O fim dos amantes, à medida que, doce, avançavas; 
Se a Natureza (senhora absoluta dos desastres) 
Mesmo que te adiantes, ainda te reterás, 
Ela te mantém por um motivo: com seu dom 
Desgraçará o Tempo, e matará os malditos minutos. 
Mas teme-a, tu, seu filho favorito, 
Ela te deterá, mas não guardará o seu tesouro! 
Mais cedo ou mais tarde, terás de responder-lhe, 
E sua satisfação será apenas a de dominar-te.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº125

Para que eu deveria erguer o dossel, 
Honrando somente as aparências, 
Ou lançar as bases da eternidade, 
Que serviria menos que o desperdício e a ruína? 
Já não vi quem tivesse uma vida abastada 
Perder tudo e, ainda, pagar caro o aluguel, 
Passar de manjares a simples repastos, 
Pobres ricos, de quem tudo foi tirado? 
Não, deixa-me servir o teu coração, 
E entregar-te meu óbolo, ínfimo, mas livre, 
Imune ao tempo, indiferente à arte, porém 
Com mútua entrega, dando-me por inteiro a ti. 
Por isso, inútil delator! Quanto mais prendes 
Uma alma verdadeira, menos a podes controlar.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº124

Se meu caro amor fosse um .lho natural, 
Poderia, bastardo da Fortuna, não ter um pai, 
Sujeito ao amor ou o ódio do Tempo, 
Arrebanhado entre as flores ou ervas. 
Não, ele foi concebido longe do acaso; 
Não sofre com as alegres pompas, nem cai 
Sob o golpe de servos descontentes, 
Em que o tempo certo clama para si. 
Não teme a política, esse herético, 
Que trabalha à custa de meios expedientes, 
Mas por si só permanece altamente político, 
Sem crescer no calor, nem minguar com a chuva. 
A isso, como testemunha, clamo os tolos do Tempo, 
Que morrem pela bondade, quando vivem pelo crime.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº123

Não! Tempo, não te regozijarás porque envelheço: 
Tuas pirâmides erguidas com nova força 
A mim não assustam, nem surpreendem; 
São apenas visões de velhos lugares. 
Nossos dias são breves e, portanto, admiramos 
O que tu nos impõe que envelheceu; 
E preferimos tê-los conforme nosso desejo, 
A conhecê-los somente por suas lendas. 
Desafio tanto as histórias quanto a ti, 
Sem me importar com o passado ou o presente; 
Pois teus livros e o que vemos ambos mentem, 
Feitos, mal e mal, em tua contínua pressa: 
Isto eu juro, e assim será sempre, 
Serei verdadeiro, apesar de ti e tua longa foice.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº122

Teus dons, tuas palavras, estão em minha mente 
Com todas as letras, em eterna lembrança, 
Que permanecerá acima da escória ociosa 
Além de todos os dados, mesmo na eternidade; 
Ou, ao menos, enquanto a mente e o coração 
Possam por sua natureza subsistir; 
Até que todo o esquecimento liberte sua parte 
De ti, teu registro não se perderá. 
Esses pobres dados não podem reter tudo, 
Nem preciso de números para medir o teu amor; 
Assim fui corajoso para dar de mim a eles, 
Para confiar nesses dados que sobram em ti. 
Manter um objeto para lembrar-te 
Seria aceitar o esquecimento em mim.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº121

É melhor ser vil do que vil considerado, 
Quando não se é, e ser repreendido por sê-lo, 
E o prazer justo perdido, que é tão caro 
Não por nós, mas pela opinião alheia. 
Por que a visão falsa e adulterada dos outros 
Deve julgar o meu sangue ardente? 
Ou minhas fraquezas, enquanto o mais fraco espia, 
Que por eles seja mau o que acredito bom? 
Não, eu sou quem sou, e eles que julgam 
Meus erros reconhecem em mim apenas os deles; 
Posso ser reto, embora eles sejam tortos; 
Diante desses pensamentos, meus atos se ocultam, 
A menos que esse mal geral que eles mantêm: 
Todos são maus e em sua maldade reinam.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº120

Tu, que um dia me ofendeste, sê meu amigo agora, 
E aquela mágoa que então senti 
Devo relevar como uma antiga transgressão, 
A menos que meus nervos fossem de aço ou de ferro. 
Se fosses atacado por minha grosseria, 
Como fui por ti, viverias um inferno, 
E eu, tirano, não sossegaria, 
Até mostrar-te quanto sofri com a tua ofensa. 
Ó, que nossa noite de pesar nos lembre, 
No fundo, quão dura é a tristeza, 
E logo para ti, como de ti para mim, então servido 
O humilde bálsamo que unge o peito ferido! 
Mas teu ultraje agora assume um preço; 
O meu te redime, e o teu redime a mim

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº119

Que poções bebi das lágrimas das Sereias, 
Destiladas dos troncos que queimam como o inferno, 
Vertendo medos em esperanças, e esperanças, em medos, 
Sempre perdendo quando eu estava a ponto de vencer? 
Que males terríveis cometeu meu coração, 
Enquanto se julgava jamais abençoado! 
Como vagaram meus olhos fora de suas órbitas, 
Ao se distraírem nessa louca febre! 
Ah, o benefício da dúvida! Agora descubro ser verdade 
Que o bem se aperfeiçoa com o mal; 
E o amor arruinado, ao ser reconstruído, 
Cresce mais belo, mais forte e se torna ainda maior. 
Então, retorno, refeito, ao meu contentamento, 
E ganho, por sorte, três vezes mais do que gastei!

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº118

Para aguçar nossos apetites 
Urgirmos o palato a provar de tudo; 
Para prevenir moléstias desconhecidas 
Adoecemos para afastar as doenças ao nos purificar. 
Mesmo assim, prenhe de tua doçura inebriante, 
Para amargar os molhos fiz a minha comida, 
E, doente de bem-estar, encontrei um tipo de igualdade 
Para adoecer onde houvesse necessidade. 
Eis a política do amor, antecipar 
Os males que não existem, alimentados pelas falhas, 
E trazidos à medicina em condição saudável, 
Que, igualada à bondade, seria curada pelo mal. 
Mas, então, aprendi, e vejo a verdade na lição, 
Os remédios envenenam quem adoeceu de ti.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº117

Disto podes me acusar; que me neguei 
A pagar mais uma vez por teus abandonos, 
Esquecido de ver o teu amor, 
Aonde os laços me prendem a cada dia; 
Que tenho estado com as mentes mais impuras, 
E cedido ao tempo teu direito adquirido; 
Que icei velas a todos os ventos 
Que me roubaram de teus olhos. 
Marca todas as minhas vontades e erros, 
E, com essas provas, acumula conjecturas, 
Impõe-me o teu juízo, 
Mas não me ataques com teu ódio: 
Pois meu apelo revela que tudo fiz para provar 
A constância e a virtude do teu amor.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº116

Não há empecilhos quando mentes 
Verdadeiras se afeiçoam. O amor inexiste 
Quando se altera por qualquer motivo, 
Ou se curva sob o ímpeto apressado: 
Ah, não! É um olho inabalável, 
A mirar as tempestades sem se alterar; 
É a estrela-guia de todo barco à deriva, 
Cujo valor se desconhece, embora alta viva sobre o mar. 
O amor não serve ao Tempo, embora as róseas faces e lábios 
Cedam ao arco de sua longa foice; 
O amor não se altera com suas breves horas e dias, 
Mas sustenta-se firme até o fim das eras. 
Se tudo que eu disse se provar um engano, 
Jamais escrevi, nem amou qualquer humano.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº115

Estas linhas que escrevi antes mentem, 
Mesmo as que dizem que eu não poderia amar-te mais; 
Embora meu pensamento não soubesse a razão 
Por que meu ardor devesse depois se apagar. 
Mas ao reconhecer o Tempo, cujos milhões de acidentes 
Penetram entre os juramentos e alteram decretos de reis, 
Tingem a sagrada beleza, turvam as mais claras intenções, 
Desviam as mentes fortes para o curso das coisas mutáveis – 
Ah, por que, ao temer a tirania do Tempo, 
Não deveria eu dizer, “Agora eu te amo mais”, 
Quando a certeza vence a incerteza, 
Coroando o presente, duvidando de tudo o mais? 
O amor é como um bebê; então, não posso dizê-lo, 
E dar plena altura àquilo que ainda está a crescer.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº114

Deve a minha mente, coroada de ti, 
Sorver a praga do rei, este elogio? 
Ou devo dizer que meu olho não mente, 
E que teu amor ensinou-lhe esta alquimia, 
De transformar monstros e coisas indigestas 
Em querubins semelhantes à tua doce imagem, 
Transmutando todo o mal em perfeito bem 
Tão rápido quanto tudo dele se aproxima? 
Ó, eis o primeiro, o elogio a meu ver, 
E minha grande mente majestosamente o sorve. 
Meus olhos sabem bem o que a língua prova, 
E para o palato prepara o copo. 
Se for veneno, será um pecado menor 
Do que meu amor por ele e, assim, principio.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº113

Desde que te deixei, meus olhos se ensimesmaram, 
E quem me leva a caminhar livre 
Em parte, vê e, em parte, está cego, 
Pensando ver, mas, na verdade, não vê; 
Pois não indica nenhuma forma ao coração 
De pássaro, flor, ou silhueta, que consiga divisar; 
Desses fugidios objetos a mente não se ocupa, 
Nem sua vista se detém sobre o que possa vislumbrar; 
Pois diante da mais branda ou mais rude visão, 
A mais formosa ou deformada criatura, 
A montanha ou o mar, o dia ou a noite, 
Corvo ou pomba, empresta a eles tua forma. 
Incapaz de ver outra coisa, tão cheia de ti, 
Minha mente certa torna meus olhos incertos.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº112

Teu amor e o pesar dão-me a impressão 
Estampando o escândalo vulgar em meu cenho; 
Que me importa quem me queira bem ou mal, 
Senão tu, sobre meu bom ou mau alento? 
Tu és todo o meu mundo, e devo esforçar-me 
Para saber as más e boas opiniões que tens sobre mim; 
Não há ninguém para mim, nem eu para mais ninguém, 
Que meu duro sentido mude para o bem ou para o mal. 
Num abismo assim profundo lanço tudo que me importa 
Que os outros digam que meu senso viperino 
Pela crítica e o elogio sejam impedidos. 
Veja como dispenso com minha negligência: 
Vives tão firme em meu propósito, 
Que todos além de mim já feneceram.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº111

Ó, por mim, desprezas a Sorte, 
A deusa culpada de meus malfeitos, 
Que não deu mais à minha vida 
Do que meios advindos dos modos mais comuns. 
Então, sobrevém que meu nome receba uma marca, 
E quase de imediato minha natureza se subjuga 
Ao que se afaz, como à mão do tintureiro. 
Tem pena de mim: desejava-me renovado, 
Assim como um paciente, aquiesço e bebo 
As poções para curar minha forte infecção; 
Nenhum amargor que eu julgue amargo, 
Nenhuma dupla sentença para corrigir a correção. 
Tem pena de mim, cara amiga, e te asseguro 
Que até a tua pena é bastante para dar-me a cura.