quinta-feira, 23 de julho de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº39

Ó, como poderei com modos exultar teu valor,
Se de mim és a melhor parte?
O que podem os meus louvores trazer a mim,
E o que sou senão eu mesmo quando te elogio?
Mesmo aqui deixem que vivamos divididos,
E nosso doce amor perder seu nome,
E por esta separação eu lhe cause
Que, graças a ti, tu a mereças sozinha.
Ó ausência, que tormento provarias,
Se teu amargo lazer não te libertasse
Para entreter o tempo com pensamentos de amor –
Que o tempo e pensamentos docemente enganam –
E que ensines como serem únicos,
Ao elogiá-lo aqui, e permanecer assim.