segunda-feira, 27 de julho de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº41

Os benditos erros que a liberdade comete
Quando por vezes me ausento de teu coração,
Tua beleza e idade bem te assentam,
Pois ainda a tentação te segue por toda parte.
Tu és gentil e, portanto, deves ser conquistado;
Tu és belo, portanto, deves ser assediado.
E quando uma mulher seduz, que filho,
Amargurado, irá deixá-la, até que tenha vencido?
Ai de mim, porém, ainda poderás me suportar,
E repelir tua beleza e evanescente juventude,
Que te conduziu ao seu desespero mesmo ali,
Onde foste forçado a quebrar uma dupla verdade:
A dela, por tua beleza, atraindo-a para ti, 
A tua, por ser tua beleza falsa para mim.