quarta-feira, 29 de julho de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº43

Quanto mais pisco, melhor meus olhos veem, 
Pois o dia todo vislumbram coisas que nada são; 
Mas, quando adormeço, surges em meus sonhos, 
E, luzindo no escuro, fulgem em meio ao breu; 
E tu, cujo vulto reluz entre as sombras, 
Cuja forma mostra-se alegre, 
Na claridade, tua luz é ainda maior, 
Que, ante meus olhos baços, faz tua sombra brilhar! 
Como (eu diria) seriam meus olhos abençoados 
Ao ver-te à luz do dia, 
Quando, na calada da noite, tua sombra bela e imperfeita 
Permanece sob minhas pálpebras durante o sono! 
Todos os dias são noites, até que eu te veja, 
E as noites, dias claros, ao mostrar-te em meus sonhos.