sexta-feira, 31 de julho de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº45

Os dois outros, o ar leve e o fogo ardente, 
Estão contigo aonde quer que eu me encontre; 
O primeiro, meu pensamento, o outro, meu desejo, 
Entre a presença e a ausência, deslizam furtivamente; 
Pois quando se vão estes rápidos elementos 
A prestar-te os doces louvores do amor, 
Minha vida, feita de quatro, com dois apenas 
Fenece e morre, subjugada pela melancolia; 
Até que a composição da vida seja sanada 
Por teus lépidos mensageiros, 
Que somente agora retornam, afiançando 
Teu bem-estar, deixando-me em sossego. 
Assim, me regozijo; porém, insatisfeito, 
Rechaço-os, e torno-me ainda mais infeliz.