segunda-feira, 3 de agosto de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº46

Meus olhos e coração travam uma guerra mortal 
De como repartir entre eles a visão que têm de ti: 
Meus olhos rejeitam o que meu coração vê, 
Meu coração, aos meus olhos, a liberdade de te ver. 
Meu coração alega ser por ele que te vejo 
(Um quarto nunca visto com olhos puros), 
Mas os acusados negam-lhe a autoria,
E dizem que és bela somente para eles. 
A demanda, sem precedentes, 
Divide as opiniões, todos reféns do coração; 
E por seu veredicto se determina 
A parte dos olhos claros e do doce coração – 
Assim: meus olhos veem o que me mostras, 
E meu coração vê apenas o teu amor.