quarta-feira, 5 de agosto de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº48

Que cuidado tomei quando em meu caminho 
Ao acaso surgiram inutilidades, 
Que para mim continuariam intocadas 
Pelas mãos da falsidade, entregues à confiança. 
Mas tu, para quem minhas riquezas não são nada, 
Zelo mais valoroso, agora meu maior pesar, 
Tu, a mais amada e meu único cuidado, 
Do mais terrível ladrão te tornas presa, 
A ti, não encerrei em uma arca, 
Salvo onde não estás, embora sinta que estejas 
Dentro da gentil clausura do meu peito, 
De onde poderás ir e vir a teu bel-prazer; 
E, mesmo assim, temo que serás roubada, 
Pois a verdade nos rouba quanto maior o prêmio.