quinta-feira, 6 de agosto de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº49

Contra o tempo (se este tempo vier) 
Quando rejeitares os meus defeitos, 
Quando o teu amor fizer o seu maior lance, 
Chamada a explicar-se por teu respeito; 
Contra o tempo quando passares como estranha, 
E mal me cumprimentares com o teu olhar em fogo, 
Quando o amor transformado daquilo que era 
Encontrar motivos de reconhecida gravidade; 
Contra esse tempo, eu me protejo 
Conhecendo os meus próprios desígnios, 
E, assim, contra mim ergo a minha mão, 
Para resguardar as tuas razões de direito. 
Para me deixares, pobre de mim, empregas a força da lei, 
Pois, a razão do amor, não posso alegar os meus motivos.