quinta-feira, 13 de agosto de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº54

Ó, muito mais linda parece a beleza 
Docemente ornada pela verdade! 
A rosa é linda, mas a julgamos ainda mais bela 
Pelo suave odor que exala. 
As rosas silvestres têm o mesmo tom 
Que as rosas perfumadas e coloridas, 
Presas a seus espinhos, e brincam, voluptuosas, 
Quando o hálito do verão as abre em botão; 
Mas, como a aparência é sua única virtude, 
Vivem esquecidas, e murcham abandonadas – 
Morrendo solitárias. Doces rosas não fenecem; 
De suas ternas mortes exalam os mais doces perfumes, 
Assim como de ti, linda e amável donzela, 
Ao feneceres, tua verdade destilará nos versos.