sexta-feira, 14 de agosto de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº55

Nem o mármore nem os monumentos luxuosos 
Dos príncipes viverão mais que este poderoso verso, 
Mas brilharás ainda mais neste poema 
Do que a intocada gema envolta pela névoa do tempo. 
Quando a guerra inútil destruir todas as estátuas, 
E as disputas surgirem no trabalho diligente, 
Nem deixarão de Marte a espada, nem do embate arder 
O fogo fátuo o límpido registro de tua memória. 
Avançarás contra a morte e toda a hostilidade obliterada; 
Teu ânimo ainda encontrará lugar 
Mesmo aos olhos da posteridade, 
Que carrega este mundo ao seu cataclismo. 
Então, até o julgamento que tu mesmo fazes, 
Aqui vives e permaneces nos olhos de teus amores.