segunda-feira, 17 de agosto de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº56

Doce amor, sê forte; não digas que 
Teu ardil seja mais bruto que teu apetite, 
Que somente hoje alias e alimentas, 
Depois aguçado em seu antigo poder: 
Então, amor, sê tu mesma; embora hoje preenchas 
A fome de teus olhos, mesmo plenos, 
Amanhã novamente vejam, e não matem 
O espírito do amor com perpétuo tédio. 
Deixa este triste ínterim ser como o oceano 
Que divide a praia, onde dois novos seres 
Diariamente vêm até as margens, e, ao assistirem 
Retornar o amor, mais abençoada se torna esta visão; 
Ou mesmo o inverno, que, cheio de cuidado, 
Faz o estio ser três vezes mais raro e ansiado.