terça-feira, 18 de agosto de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº57

Sendo teu escravo, o que fazer senão atender 
Às horas e aos chamados de teu desejo? 
Não tenho tempo algum para mim, 
Nem serviços a fazer, até que me peças. 
Nem ouso repreender a hora do mundo sem fim, 
Enquanto eu, minha soberana, sigo tuas horas, 
Nem penso que a solidão da ausência seja amarga, 
Após dispensar teu servo de teu serviço; 
Nem ouso questionar com meus ciúmes 
Onde andarás, ou imaginar o que fazes, 
Mas, como um triste escravo, sento-me e não penso, 
Salvo, onde estás e quão feliz fazes a todos: 
Então, que tolo é o amor, que, sob teu jugo 
(Embora nada faças), nenhum mal o assombre.