sexta-feira, 21 de agosto de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº60

Como as ondas se arremessam contra as pedras, 
Aproximam-se os minutos de seu fim; 
Cada um ocupando o mesmo espaço, 
Num incansável e destemido movimento. 
Do nascimento, após vir à luz, 
Engatinhamos até a maturidade, e somos coroados, 
Vencendo estranhos eclipses perante sua glória, 
E o Tempo, dado, que hoje nos lega seu presente. 
Os dias firmam seu passo na juventude, 
E cavam suas sendas sobre a fronte da beleza; 
Alimentam-se da raridade da verdade da natureza, 
Mas nada impede o firme corte de sua foice. 
Porém, às vezes, espero que meu verso prevaleça, 
Elevando teu valor, apesar de seu cruel desmando.