segunda-feira, 24 de agosto de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº61

É teu desejo que tua imagem mantenha abertas 
Minhas pesadas pálpebras nesta fatigada noite? 
Desejas que meu sono se quebre, 
Enquanto as sombras zombam ao me ver? 
É teu espírito que envias até a mim 
Tão longe de casa, para me bisbilhotar, 
Para desvendar meus erros e ociosas horas, 
Mantendo vivo e aceso o teu ciúme? 
Ah, não! Teu amor, mesmo imenso, não é tão grande; 
É meu amor que deixa meus olhos despertos, 
Meu amor verdadeiro que corrói meu descanso, 
Para manter-me em vigília por tua causa. 
A ti vigio, enquanto ao longe despertas, 
Tão distante de mim, e de outros, tão perto.