terça-feira, 25 de agosto de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº62

O pecado do amor-próprio toma meus olhos, 
E toda a minha alma, e todo o meu corpo; 
E para este pecado não há qualquer remédio, 
Tão entranhado está em meu coração. 
Penso que nenhum rosto seja tão belo quanto o meu, 
Não há forma mais verdadeira, nem jamais vista, 
E por mim meu próprio valor se define, 
Por superar qualquer outro. 
Mas quando o espelho me revela quem sou, 
Abatido e carcomido pelos anos, 
Meu amor-próprio se contraria; 
Ser tão autocentrado seria uma iniquidade. 
Tu és (eu mesmo) aquele que em meu nome elogio, 
Pintando meus anos com a beleza de teus dias.