quarta-feira, 26 de agosto de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº63

Contrário o meu amor será como sou hoje, 
Com a mão injuriosa, esmagada e gasta pelo Tempo; 
Quando as horas tiverem secado o sangue e coberto o cenho 
Com linhas e rugas; quando a sua fresca manhã 
Ascender à alta noite senil, 
E todas as belezas das quais hoje ele é rei 
Minguarem, ou sumirem de vista, 
Roubando o tesouro de sua primavera; 
Por esse tempo agora eu me oponho 
Contra a faca cruel da confusa idade, 
Que ele jamais ceifará da lembrança 
A suavidade do meu amor, embora lhe tire a vida. 
Nestas negras linhas ficará a sua beleza, 
E que viverão, mantendo o meu amado vivo.