quinta-feira, 3 de setembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº69

Estas partes que os olhos do mundo vislumbram 
Nada querem que a vontade dos corações cure; 
Todas as línguas (a voz das almas) te dão o que é teu, 
Murmurando a verdade, mesmo dita por inimigos. 
Teu semblante com elogios aparentes é coroado, 
Mas essas mesmas línguas que te reconhecem 
Em outros tons confundem os elogios, 
Vendo mais do que os olhos veem. 
Eles divisam a beleza de tua mente, 
E adivinham a tua dimensão pelos teus atos; 
Então, distorcem os seus pensamentos, embora vejam bem, 
Emprestando às tuas belas flores um mau odor. 
Mas como teu perfume não se iguala ao que mostras, 
Este é o chão onde deves crescer como um ser comum.