sexta-feira, 4 de setembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº70

Que tuas culpas não sejam teus defeitos, 
Pois a marca da calúnia nunca é bela; 
O adorno da beleza torna-se suspeito, 
Um corvo a voar na brisa mais amena. 
Se agires bem, a injúria nada faz senão 
Engrandecer o teu valor com o tempo; 
Os vermes refestelam-se nos doces botões, 
E tua beleza se mostra imaculada. 
Superaste a armadilha da juventude, 
Sem assaltos, nem vitórias; 
Embora o elogio não possa ser ofertado 
Para impedir uma inveja ainda maior. 
Se as suspeitas de erros não te mascararem, 
Vencerás sozinha todos os corações.