terça-feira, 8 de setembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº72

Ó, a menos que o mundo te obrigue a dizer 
Que méritos tanto amavas em mim 
Após a minha morte, amor, esquece-me; 
Pois nada podes provar sobre o meu valor, 
A menos que inventes uma grande mentira 
Para fazer por mim mais do que eu mesmo, 
E imputar mais elogios depois que eu morrer 
Do que a dura verdade poderia me conceder. 
Ó, a menos que teu amor agora seja falso, 
Que tu, por amor, mintas para falar bem de mim, 
Meu nome seja enterrado com meu corpo, 
E deixe de viver para não vexar a mim nem a ti; 
Pois me envergonho de tudo que faço; 
E tu, também, por amar o que não tem valor.