quarta-feira, 9 de setembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº73

Vês em mim esta época do ano 
Quando poucas ou nenhuma folha amarelecida 
Nos galhos que tremem ao vento frio, 
Coros desertos onde os doces pássaros cantavam. 
Em mim, vês o crepúsculo deste dia 
Após o naufrágio do sol a Oeste, 
Que, pouco a pouco, a noite escura afasta, 
A outra face da Morte, que tudo silencia. 
Em mim, vês o brilho deste fogo 
Que permanece nas cinzas de sua juventude, 
Como o leito de morte onde deve expiar, 
Consumido pelo ardor que o nutria. 
Isto vês, que fortalece o teu amor, 
Para amar o que logo irás abandonar.