quinta-feira, 10 de setembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº74

Alegra-te: quando a dura prisão 
Sem dó para longe me arrastar, 
Minha vida tem neste verso um interesse, 
Que, em memória, ainda em ti continuará. 
Quando o revires, verás de novo 
Tudo o que consagrei a ti. 
A terra terá apenas a terra, que a ela pertence; 
Meu espírito é teu – a melhor parte de mim: 
Então, quando dissipares o que restar de tua vida, 
Presa dos vermes, meu corpo sucumbido; 
Na covarde conquista de um punhal maldito, 
Haverá muito pouco de ti para ser lembrado. 
Seu valor está no que ele contém, 
E isto é o que vale e, este sim, ficará contigo.