quarta-feira, 16 de setembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº78

Tantas vezes invoco-a como minha Musa, 
E encontro auxílio para meu verso 
Toda vez que uso minha pena, 
E por ti sua poesia é aspergida. 
Teus olhos, que ensinaram os mudos a cantar, 
E a pesada ignorância a planar, 
Criou plumas para a sábia asa, 
E deu à graça majestade em dobro. 
Mesmo me orgulhando do que compilo, 
Cuja influência vem e brota de ti; 
Na obra alheia apenas consertas o estilo, 
E as artes com teu dom são abençoadas; 
Mas tu és toda a minha arte, e avanças 
Tão alto quanto aprendo sobre o que nada sei.