quinta-feira, 17 de setembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº79

Ao pedir para mim o teu auxílio, 
Meu verso recebia sozinho toda a tua graça; 
Mas agora perco o ritmo das palavras, 
E minha frágil Musa muda de lugar. 
Te dou, amor, teu adorável pretexto 
De merecer o suor de uma pena mais valiosa, 
Embora de ti teu poeta invente, 
Ele rouba de ti, e a ti novamente paga. 
Ele te dá a virtude, e subtraiu esta palavra 
De teus atos; ele te dá a beleza 
Ao vê-la em teu rosto; ele não pode 
Elogiar-te senão naquilo que já existe em ti. 
Então, não lhe agradeças pelo que ele te diz, 
Pois o que ele te deve é o mesmo que lhe pagas.