terça-feira, 22 de setembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº82

Não quero que desposes a minha Musa, 
E, assim, deixes de ler 
As palavras dedicadas que os escritores usam 
Sobre seus belos objetos, abençoando seus livros. 
Tu és tão bela em saber quanto em cor, 
Colocando o teu valor além do meu louvor; 
E assim te vês forçada a buscar de novo 
Um olhar mais fresco que já passou. 
Faze isso, amor; embora quando vejam 
Que toques duros empresta a retórica, 
Tu, minha bela, terias simpatizado 
Com palavras simples por teu verdadeiro amigo; 
E suas cores grosseiras deveriam ser mais bem usadas 
Para enrubescer as faces, daquilo que sobra em ti.