segunda-feira, 28 de setembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº86

Foi a vela enfunada de seu grande verso, 
Destinado a receber o prêmio de tua preciosidade, 
Que meus pensamentos maduros conjuraram, 
Matando-os no ventre onde cresceram? 
Foi seu espírito, ensinado pelos ares a escrever 
Acima de ditames mortais o que me aniquilou? 
Não, nem ele, nem seus noturnos confrades 
Ao ajudá-lo atormentaram o meu poema. 
Nem ele, nem aquele amável fantasma familiar, 
Que noturnamente instiga-lhe a inteligência, 
Vitoriosos, não podem gabar-se de meu silêncio; 
Não adoeci por medo de nada disso. 
Mas quando te ergueste para dizer seu verso, 
Então perdi o senso – o pouco que eu já tinha.