terça-feira, 29 de setembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº87

Adeus! És muito cara para que eu te tenha, 
E bem conheces o teu próprio valor: 
O privilégio de teu peso te liberta; 
Minha devoção a ti é toda determinada. 
Como posso ter-te, senão por teu favor? 
E, diante de tanta riqueza, que fiz por merecê-la? 
A causa do presente que me é dado é meu desejo, 
E, assim, meu direito me é subtraído. 
Tu mesma marcaste teu valor sem o saber, 
Ou a mim, a quem o deste, por engano; 
Pois tua grande dádiva, de mim arrancada, 
Retorna à tua casa, melhor considerada. 
Assim, tive a ti, como um sonho demasiado: 
Um rei ao dormir e, ao despertar, um exilado.