sexta-feira, 2 de outubro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº90

Odeia-me, se quiseres; se for agora, 
Enquanto o mundo censura meus atos, 
Une-te ao escárnio da fortuna, faze-me vergar, 
E não mais tornes a me pisotear. 
Ah, quando meu coração se afastar desta tristeza, 
Não retomes um cansado lamento; 
Que a manhã chuvosa não suceda a noite de vento, 
Para perpetuar esta proposital derrota. 
Se me deixares, não me abandones ao final, 
Após outras mágoas terem causado o seu dano, 
Mas, no princípio, para experimentar 
Antes o pior da força do destino; 
E as outras dores, que hoje assim parecem, 
Comparadas a te perder, nada mais serão.