terça-feira, 6 de outubro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº92

Embora simules a tua pior faceta, 
O fim de tua vida assegurou o meu; 
E não haverá vida além do teu bem-querer, 
Por este depender apenas de teu amor. 
Assim não preciso temer o maior dos males, 
Quando o menor deles puser fim à minha vida. 
Vejo que me cabe uma condição ainda melhor 
Do que a de depender do teu humor. 
Não podes humilhar-me com tua inconstância, 
Pois minha vida jaz em tua revolta. 
Ó, que felicidade encontro, 
Feliz por teu amor, feliz por enfim morrer! 
Mas o que é tão abençoado que não tema a mácula? 
Poderás ser falsa e, mesmo assim, a tudo ignoro.