quarta-feira, 7 de outubro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº93

Assim vivo, supondo-te verdadeira, 
Como um marido traído; assim a face do amor 
Parecerá amorosa, embora, diversa, se altere – 
Voltando a mim os olhos, e o coração, à outra parte. 
Pois em teus olhos não pode haver ódio, 
Assim nisso não percebo a tua mudança. 
De muitas formas a história do falso coração 
Se escreve em estranhas alterações de humor; 
Mas os céus, ao criar-te, decretaram 
Que em teu rosto o doce amor sempre vivesse; 
Teu olhar não expressaria senão a doçura 
Que passasse por tua mente ou teu coração. 
Tal a maçã de Eva, aumenta tua beleza, 
Se tua doce virtude não te responder em vão!