sexta-feira, 9 de outubro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº95

Que doce e amorosa transformas a vergonha, 
Que como um câncer na perfumada rosa 
Realça a beleza de teu próprio nome! 
Ó, com que doçuras envolves teus pecados! 
A língua que conta tua história, 
Comentando lasciva teu divertimento, 
Não pode desprezar, como se elogiasse, 
Dizendo teu nome, bendizendo a maldição. 
Ó, que mansão apreendeu esses vícios 
Que para habitá-lo escolheu a ti, 
Onde o véu da beleza esconde toda a mácula, 
E tudo diante dos olhos se embeleza! 
Atenção, meu coração, para este grande sortilégio: 
Se mal usada, a faca mais afiada perde seu fio.