segunda-feira, 12 de outubro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº96

Alguns dizem ser teu erro a juventude; outros, a lascívia; 
Outros dizem ainda que a juventude e o ânimo dão-te graça. 
Tanto a graça quanto os erros são bem ou mal amados; 
Transformas faltas em bênçãos como bem te aprazem. 
Como no dedo de uma rainha coroada 
A mais simples joia será mais cara, 
Assim são os erros que diviso em ti, 
Traduzidos como verdade e tidos como autênticos. 
Quantas ovelhas pode o astuto lobo enganar, 
Se na ovelha pudesse se transformar! 
Quanto assombro não irias afastar, 
Se usasses o poder concedido por teus bens! 
Mas não faças isso; amo-te de tal modo, que 
Por seres minha, digo que tudo fazes à perfeição.