terça-feira, 13 de outubro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº97

Como o inverno, tornou-se minha ausência 
De ti, o prazer com que passou o ano! 
Que frio senti, que dias negros eu vi! 
A estiagem de dezembro espalhou-se por toda a parte! 
E longe .cava, então, o verão, 
O próximo outono, crescendo com toda a força, 
Suportando o luxurioso peso do início, 
Como úteros viúvos após a morte de seus senhores; 
Embora esse farto assunto me pareça 
A esperança de órfãos, e de frutos sem ascendência, 
Pois o verão e seus prazeres servem a eles, 
E, embora distante, os mesmos pássaros emudeçam; 
Ou, se cantam, emitem um trinado tão mortiço, 
Que as folhas empalidecem, por temerem o inverno.