quinta-feira, 15 de outubro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº99

A violeta exibida, assim a reprovei: 
“Doce ladra, de onde roubaste o suave perfume, 
Senão do alento do meu amor? O orgulho róseo 
Que vive nas faces macias de tua compleição, 
Tiraste grosseiramente das veias da minha amada”. 
O lírio que condenei em tua mão, 
E as folhas de orégano dispersas em teu cabelo; 
As rosas, medrosas, calaram-se com seus espinhos, 
Uma, corada de vergonha; outra, lívida de desespero; 
A terceira, nem pálida, nem rubra, a ambas roubou, 
E para seu roubo, juntou o teu hálito; 
Mas, para seu furto, orgulhosa de crescer, 
Um vingativo câncer consumiu-a até morrer. 
Vislumbrei inda mais .ores, embora não visse nenhuma, 
Senão a doçura ou a cor que de ti roubou.