sexta-feira, 16 de outubro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº100

Musa, onde estás, que há tanto tempo te esqueces 
De dizer aquilo que te dá todo o teu poder? 
Usaste teu furor em uma canção espúria, 
Reduzindo a força para emprestar-lhes tua luz? 
Volta, esquecida Musa, e redime logo 
Em doces horas o tempo inutilmente despendido; 
Canta para os ouvidos de quem te estima, 
E dá, à tua pluma, talento e voz. 
Levanta, leve Musa, vê na suave face do meu amor 
Se o Tempo a marcou com alguma ruga: 
Se há, ri da decadência, 
E despreza os despojos do Tempo por toda a parte. 
Dá a meu amor fama mais rápido do que o Tempo gasta a vida; 
Para que, de sua foice, me afastes a encurvada lâmina.