quarta-feira, 21 de outubro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº103

Ah! Que pobreza traz a minha Musa, 
Que de tal modo demonstra seu orgulho, 
Mesmo o ínfimo argumento vale mais, 
Do que ouvir meus elogios a seu favor. 
Ah, não me culpes se eu não mais escrever! 
Olha no espelho, e lá verás um rosto 
Que em muito supera minha torpe invenção, 
Borrando minhas feições, e lançando-me em desgraça. 
Não era pecado, então, ao tentar emendar, 
Arruinar o ser que antes era são? 
Porque meus versos não tendem a mais nada 
Do que a bendizer tuas graças e teus dons; 
E mais, muito mais, do que em meus versos cabe, 
Teu espelho te diz ao te mirares nele.