quinta-feira, 22 de outubro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº104

Para mim, bela amiga, jamais serás velha, 
Pois assim como eras da primeira vez, 
Ainda me pareces bela. O frio de três invernos 
Ceifou das florestas o calor de três verões, 
Três belas primaveras amareleceram no outono, 
Eu vi, com o passar das estações, 
Três perfumes de abril arderam em três quentes junhos, 
Desde que te vi tão jovem ainda a preservar a juventude. 
Ah, embora a beleza, mão avara, 
Roube de sua imagem, e não perceba seu gesto; 
Então tua doce cor, que para mim ainda é fresca, 
Alterou-se, e meus olhos podem se enganar. 
Por medo de que, ouve bem, envelheças intacta: 
Desde que nasceste, morreu o verão da beleza.