sexta-feira, 23 de outubro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº105

Não deixes meu amor ser chamado idolatria, 
Nem minha amada, de meu ídolo, 
Pois todos os meus cantos e versos são apenas 
Para ela, sempre sobre ela, e muito mais ainda. 
Amável é meu amor, hoje e amanhã, 
Sempre constante em maravilhoso espanto; 
Portanto, meu verso, preso à constância, 
Ao dizer uma coisa, entrevê outra. 
Bela, gentil e verdadeira, é tudo o que digo, 
Bela, gentil e verdadeira, dito com tantas palavras; 
E, nesta alternância, uso a minha mente, 
Três em um, que suporta a soberba visão. 
Bela, gentil e verdadeira sempre viveram sozinhos, 
Pois, juntos, até hoje, nunca existiram em ninguém.