terça-feira, 27 de outubro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº107

Não os meus medos, nem a alma profética 
Do imenso mundo que sonha com o futuro 
Pode controlar o meu verdadeiro amor, 
Suposto e destinado à desgraça certa. 
A lua mortal tem seu eclipse prolongado, 
E os tristes augúrios desdenham seus presságios; 
Incertezas hoje coroam-se seguras, 
E a paz proclama os frutos de uma eternidade. 
Agora com as gotas desse momento tão balsâmico, 
Meu amor parece jovem, e a Morte a mim se subjuga, 
Como, apesar dela, eu viverei nesta pobre rima, 
Enquanto ela insulta suas turbas tolas e emudecidas; 
E tu, nisto, encontrarás teu monumento, 
Quando ruírem os túmulos de bronze dos tiranos.