quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Estagnação Secular

– Obrigado por essa oportunidade de falar sobre economia para esta ordem religiosa de grande valor, – discorria o Economista ao grupo de hábitos negros. – e também por participar desse grande evento de ideias. Sem mais delongas, vamos ao que interessa.

Abriu sua apresentação de slide e começou sua palestra.



O Acerto de Contas 

Slide 1


O primeiro cenário que temos é o Brasil.

  • O país passa por uma grave crise. Perdemos os vinte e um anos de bom funcionamento do Plano Real. Tudo que foi realizado para estabilizar a moeda desde sua criação em 1994, foi jogado no lixo. Graça a nova matriz econômica. 


Slide 2
  • Nosso problema começou com a adoção da “nova matriz econômica” caracterizada por perseguição de uma taxa de juro baixa, busca de uma taxa de câmbio competitiva e aumento dos gastos públicos. Ferindo assim a antiga e funcional matriz econômica que tinha como alicerce: sistema de metas de inflação, câmbio flutuante e austeridade fiscal. 


Os próximos slides explicaram os problemas causados pela crise financeira mundial no segundo semestre de 2008 e a adoção da nova matriz econômica. Aonde a largada para a situação atual, começou com a expansão de crédito em bancos estatais, o pais cresceu nesse curto período de tempo, chamando atenção de outros países pelo milagre econômico em meio à crise financeira. Porém, o milagre econômico naufragou em pouco tempo. 

E a noite mais densa, ainda estava por vir.
O fim do “governo” Lula e a continuação da nova matriz no mandato de Dilma Rousseff, tornaram-se uma lambança ainda pior. Nesse período, houve a aprovação da MP 579, que reduziu a tarifa de energia e modificou as concessões de hidroelétricas. Houve a guerra aos bancos privados que não baixarem os juros e mais alterações nas concessões de aeroportos e poços de petróleo, com legislações exóticas e tabela de lucro permitido. 

E assim decorreram mais vinte tópicos sobre o assunto. Ao perceber que os presentes estavam dispersos, o orador resolver descontrair a plateia com uma piada.



– Um bandido condenado à morte, senta-se na cadeira elétrica para ser executado. O diretor do presídio fala:
De acordo com a lei, o senhor tem o direito a um pedido.
Sem hesitar o bandido fala:
Eu gostaria que o senhor segurasse a minha mão!




Após muitas risadas o Economista, fechou dizendo:


– É assim que age o governo atual, comete todo tipo de crimes hediondos e na hora de receber a sentença quer todos segurem a sua mão. 

O sabor amargo tomou conta de todos os presentes. 

A apresentação continuou com a atenção reforçada...

Slide 29 

  • Com os fatores apresentados anteriormente, teremos uma década perdida a frente, com altas no desemprego, na inflação, prejuízo salarial e desvalorização do real. 

  • E para agravar ainda mais a situação, temos a desaceleração da economia chinesa e com isso o menor interesse por commodities minerais, impactando diretamente em nossa economia; que funciona a base de exportação de commodities principalmente minerais para a China. 

Slide 30 

Federal Reserve System

  • O que esperar do FED nesse dia 17 de setembro de 2015? A única coisa que pode ser falada é: mesmo que o FED não aumente a taxa de juros na reunião dessa semana, o dólar pode chegar cada vez mais perto do valor de quatro reais, ou pode ter uma pequena queda para depois voltar a subir. Uma incógnita que saberemos somente amanhã no final da reunião. 

  • Quem tem investimentos em dólar há um bom tempo pode esperar lucro elevado! Em qualquer uma das duas situações. 

Slide 31

  • Mas vale lembrar que o passivo do Banco Central norte-americano passou de US$ 800 bilhões em 2008 para US$ 3,6 trilhões até o presente momento. O BC possui reservas de capital no valor de US$ 56 bilhões, impossibilitando a capacidade de solvência. A subida dos juros pelo FED é necessária para conter a dívida do país. 



Slide 32 

Commodities e o Mundo


  • Primeiro vamos dar uma olhada na relação Rússia e China. Os dois países são parceiros comercias e negociam entre si usando ouro, pois eliminaram o dólar de suas transações. Ou seja, os dois já não convertem suas divisas em dólar para comercializar. Outro fator interessante, é que as duas nações são as maiores compradoras de ouro físico do mundo. Mesmo com a entrada do Banco da China na equipe de bancos responsáveis pelo preço mundial do ouro, a Rússia ainda supera a China na compra do metal.

Slide 33

  • Vale lembrar também, que a Rússia negocia commodities como petróleo e gás por ouro físico, porém aceita dólares que são convertidos para ouro após fechar o negócio. A quase jogada de mestre, está no fato de vender um recurso mineral de certa abundância (petróleo, gás...) a um valor alto e depois comprar outro recurso mineral de menor abundância e maior valor na forma de investimento (ouro) por um valor inferior. 

Slide 34

  • Em contrapartida temos uma guerra de commodities energéticas, aonde os Estados Unidos aumentaram a produção de petróleo, em especial nas áreas de xisto betuminoso. 

  • Porém, houve uma queda acentuada de consumo em novembro de 2014, diante do excesso de oferta e da recusa dos países da OPEP em reduzir seu teto de produção, independentemente do preço no mercado internacional. 


Slide 35 


  • Essa contrapartida barrou a jogada russa na compra do ouro físico, juntamente com as sanções que o país recebeu pelos ataques a Ucrânia. Mas até quando? Lembrando que toda a Europa utiliza o gás russo para sobreviver (principalmente no inverno).

  • No meio disso temos a Petrobras, enfraquecida internamente por esquema de corrupção. A maior empresa do mundo tem a maior divida do mundo e não encontra meios substanciais para resolver isso, além de, sofrer deteriorando de seu valor a cada dia. Sua cotação é uma caixa de surpresas no mercado.

Slide 36

A Grande Cilada dos Bancos Centrais


  • O excesso de intervencionismo que os Bancos Centrais e governos vem adotando desde a crise de 2008 para salvar a economia mundial, foi um movimento necessário, porém levou a uma grande armadilha. Basicamente, transferiu-se aos Bancos Centrais o excesso de endividamento. E assim as autoridades monetárias assumiram para si as dívidas de seus países e adicionaram outros US$ 12 trilhões de dinheiro ao sistema financeiro.

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  • Uma falsa sensação de bem estar foi criada, alimentada por juros zerados ou até mesmo negativos, com uma liquidez sem precedentes. Os mercados são alimentados diariamente pelos Bancos Centrais. Injeção de dinheiro fácil e barato, a taxas de juros excepcionalmente baixas por um longo período de tempo.

  • Logo, os preços das empresas em bolsa inflam e essa bolha é a raiz do problema. Temendo o ajuste nos preços para baixo, os Bancos Centrais vêm hesitando em acabar com a farra de liquidez, o que acaba tornando a bolha cada vez maior. 

Slide 38 


  • O fantasma da crise de 2008 bate a porta, porém acrescido de uma enorme quantia de dinheiro impressa nos programas de impressão de moeda adotados nos últimos anos não só nos EUA, mas na Europa, Japão, China… 

  • Porém, desta vez é diferente. O mecanismo de defesa (Bancos Centrais) estão completamente contaminado e não podem ajudar no estouro de uma nova crise, pois eles também são parte do problema. 

Slide 39

  • É evidente que estamos diante da maior de todas as bolhas do sistema financeiro mundial! Com a crise na Europa perdurando há anos, o FED com estímulos financeiros que ultrapassam sua capacidade de solvência, o Japão vindo de uma década sem crescimento e a China começando a lidar com as consequências de anos de crescimento desenfreado à base de estímulos de liquidez. O problema é generalizado. 

Slide 40 

Estagnação Secular 


Slide 41


  • Se a farra da liquidez e dos juros zerados não for resolvida em breve teremos uma Estagnação Secular. O termo foi criado por Alvin Hansen, no auge da Grande Depressão, em 1938.

  • Hansen, então presidente da American Economic Association.

  • Em sua acepção, a Estagnação Secular é um círculo vicioso. Aonde a baixa de juros não consegue estimular o crescimento, pois o desemprego enfraquece a já baixa demanda que, por sua vez desestimulava o crescimento. Sem investimentos, o desemprego aumentava e enfraquecia ainda mais a baixa demanda agregada.

Slide 42 

  • Esse ciclo não seria algo transitório ou de fácil solução. Pois seu problema é estrutural, com mudanças nas bases da economia dos países industrializados. E como as economias dos países industrializados e dos EUA saíram da recessão na década de 1930?

  • Esse problema foi resolvido com a Segunda Guerra Mundial. E somente com ela foi possível preencher o buraco da demanda agregada, a partir de gastos militares bastante pesados. 

  • Hoje vemos esses gastos bélicos em países como Rússia e China, aonde o primeiro pais gasta 10% do PIB do em armamentos e o segundo gastou em 2014 US$ 130 bilhões e pretende atingir os dois dígitos esse ano. 

Slide 43 

  • O fato de China e Rússia terem o mesmo posicionamento ideológico e estarem se armando é algo grave e que pode nos levar a uma Terceira Guerra Mundial, já que a quebra financeira e sistêmica e muitos países se beneficiariam disso.

  • Os tempos são difíceis, mas ainda não são de guerra, tudo indica que ainda teremos mais um tempo antes que a bolha em fim exploda. Porém, todos devem se proteger da forma que achar melhor, sendo por meio de investimentos conservadores como Títulos públicos e ouro, ou aproveitando o restante de liquidez de ações dolarizadas.

– Isso é tudo, muito obrigado! Quem quiser fazer perguntas eu posso tentar responder.

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº108

O que há na mente que a pena possa descrever 
Que ainda não revelou a ti o meu verdadeiro espírito? 
O que há de novo a ser dito, o que há agora a registrar, 
Que possa expressar o meu amor ou os teus belos méritos? 
Nada, meu caro rapaz; porém, como as preces divinas, 
Devo, a cada dia, repetir as mesmas palavras, 
Sem contar o que passou, tu comigo, eu contigo, 
Mesmo quando primeiro pronunciei o teu nome. 
Então, o eterno amor dentro do terno peito 
Não pesa nem o pó, nem a injúria do tempo, 
Nem dá lugar às rugas necessárias, 
Mas faz da antiguidade a sua condutora, 
Encontrando a primeira vaidade do amor ali nascido, 
Onde o tempo e as belas formas o mostrassem morto.