segunda-feira, 2 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº111

Ó, por mim, desprezas a Sorte, 
A deusa culpada de meus malfeitos, 
Que não deu mais à minha vida 
Do que meios advindos dos modos mais comuns. 
Então, sobrevém que meu nome receba uma marca, 
E quase de imediato minha natureza se subjuga 
Ao que se afaz, como à mão do tintureiro. 
Tem pena de mim: desejava-me renovado, 
Assim como um paciente, aquiesço e bebo 
As poções para curar minha forte infecção; 
Nenhum amargor que eu julgue amargo, 
Nenhuma dupla sentença para corrigir a correção. 
Tem pena de mim, cara amiga, e te asseguro 
Que até a tua pena é bastante para dar-me a cura.