terça-feira, 3 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº112

Teu amor e o pesar dão-me a impressão 
Estampando o escândalo vulgar em meu cenho; 
Que me importa quem me queira bem ou mal, 
Senão tu, sobre meu bom ou mau alento? 
Tu és todo o meu mundo, e devo esforçar-me 
Para saber as más e boas opiniões que tens sobre mim; 
Não há ninguém para mim, nem eu para mais ninguém, 
Que meu duro sentido mude para o bem ou para o mal. 
Num abismo assim profundo lanço tudo que me importa 
Que os outros digam que meu senso viperino 
Pela crítica e o elogio sejam impedidos. 
Veja como dispenso com minha negligência: 
Vives tão firme em meu propósito, 
Que todos além de mim já feneceram.