quarta-feira, 4 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº113

Desde que te deixei, meus olhos se ensimesmaram, 
E quem me leva a caminhar livre 
Em parte, vê e, em parte, está cego, 
Pensando ver, mas, na verdade, não vê; 
Pois não indica nenhuma forma ao coração 
De pássaro, flor, ou silhueta, que consiga divisar; 
Desses fugidios objetos a mente não se ocupa, 
Nem sua vista se detém sobre o que possa vislumbrar; 
Pois diante da mais branda ou mais rude visão, 
A mais formosa ou deformada criatura, 
A montanha ou o mar, o dia ou a noite, 
Corvo ou pomba, empresta a eles tua forma. 
Incapaz de ver outra coisa, tão cheia de ti, 
Minha mente certa torna meus olhos incertos.