quinta-feira, 5 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº114

Deve a minha mente, coroada de ti, 
Sorver a praga do rei, este elogio? 
Ou devo dizer que meu olho não mente, 
E que teu amor ensinou-lhe esta alquimia, 
De transformar monstros e coisas indigestas 
Em querubins semelhantes à tua doce imagem, 
Transmutando todo o mal em perfeito bem 
Tão rápido quanto tudo dele se aproxima? 
Ó, eis o primeiro, o elogio a meu ver, 
E minha grande mente majestosamente o sorve. 
Meus olhos sabem bem o que a língua prova, 
E para o palato prepara o copo. 
Se for veneno, será um pecado menor 
Do que meu amor por ele e, assim, principio.