sexta-feira, 6 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº115

Estas linhas que escrevi antes mentem, 
Mesmo as que dizem que eu não poderia amar-te mais; 
Embora meu pensamento não soubesse a razão 
Por que meu ardor devesse depois se apagar. 
Mas ao reconhecer o Tempo, cujos milhões de acidentes 
Penetram entre os juramentos e alteram decretos de reis, 
Tingem a sagrada beleza, turvam as mais claras intenções, 
Desviam as mentes fortes para o curso das coisas mutáveis – 
Ah, por que, ao temer a tirania do Tempo, 
Não deveria eu dizer, “Agora eu te amo mais”, 
Quando a certeza vence a incerteza, 
Coroando o presente, duvidando de tudo o mais? 
O amor é como um bebê; então, não posso dizê-lo, 
E dar plena altura àquilo que ainda está a crescer.