segunda-feira, 9 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº116

Não há empecilhos quando mentes 
Verdadeiras se afeiçoam. O amor inexiste 
Quando se altera por qualquer motivo, 
Ou se curva sob o ímpeto apressado: 
Ah, não! É um olho inabalável, 
A mirar as tempestades sem se alterar; 
É a estrela-guia de todo barco à deriva, 
Cujo valor se desconhece, embora alta viva sobre o mar. 
O amor não serve ao Tempo, embora as róseas faces e lábios 
Cedam ao arco de sua longa foice; 
O amor não se altera com suas breves horas e dias, 
Mas sustenta-se firme até o fim das eras. 
Se tudo que eu disse se provar um engano, 
Jamais escrevi, nem amou qualquer humano.