quarta-feira, 11 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº118

Para aguçar nossos apetites 
Urgirmos o palato a provar de tudo; 
Para prevenir moléstias desconhecidas 
Adoecemos para afastar as doenças ao nos purificar. 
Mesmo assim, prenhe de tua doçura inebriante, 
Para amargar os molhos fiz a minha comida, 
E, doente de bem-estar, encontrei um tipo de igualdade 
Para adoecer onde houvesse necessidade. 
Eis a política do amor, antecipar 
Os males que não existem, alimentados pelas falhas, 
E trazidos à medicina em condição saudável, 
Que, igualada à bondade, seria curada pelo mal. 
Mas, então, aprendi, e vejo a verdade na lição, 
Os remédios envenenam quem adoeceu de ti.