quinta-feira, 12 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº119

Que poções bebi das lágrimas das Sereias, 
Destiladas dos troncos que queimam como o inferno, 
Vertendo medos em esperanças, e esperanças, em medos, 
Sempre perdendo quando eu estava a ponto de vencer? 
Que males terríveis cometeu meu coração, 
Enquanto se julgava jamais abençoado! 
Como vagaram meus olhos fora de suas órbitas, 
Ao se distraírem nessa louca febre! 
Ah, o benefício da dúvida! Agora descubro ser verdade 
Que o bem se aperfeiçoa com o mal; 
E o amor arruinado, ao ser reconstruído, 
Cresce mais belo, mais forte e se torna ainda maior. 
Então, retorno, refeito, ao meu contentamento, 
E ganho, por sorte, três vezes mais do que gastei!