sexta-feira, 13 de novembro de 2015

154 Sonetos de William Shakespeare - Soneto nº120

Tu, que um dia me ofendeste, sê meu amigo agora, 
E aquela mágoa que então senti 
Devo relevar como uma antiga transgressão, 
A menos que meus nervos fossem de aço ou de ferro. 
Se fosses atacado por minha grosseria, 
Como fui por ti, viverias um inferno, 
E eu, tirano, não sossegaria, 
Até mostrar-te quanto sofri com a tua ofensa. 
Ó, que nossa noite de pesar nos lembre, 
No fundo, quão dura é a tristeza, 
E logo para ti, como de ti para mim, então servido 
O humilde bálsamo que unge o peito ferido! 
Mas teu ultraje agora assume um preço; 
O meu te redime, e o teu redime a mim